Posted by : Monik Ornellas

Ano passado no Bitola Humana, dei uma revisada no quesito "resoluções de final de ano" que sempre rolam com o texto Diga NÃO às Grandes Mudanças para 2011, esse ano quero abordar a retrospectiva versus a culpa que rola por trás dos acontecimentos.


De que forma você costuma olhar para "trás"?
Culpa é uma paradinha amalgamada no nosso DNA. Ela caminha junto com o erro e se conjuga em vários tempos com arrependimento. Eu não gosto de culpa, porque acho que ela também bate um papo direto com a dor que é irmã gêmea do sofrimento. E eu tô legal dos dois, você não?

Então, pra muita gente retrospectiva fede a culpa. Por mais que se tenha vivido momentos magníficos, parece que as furadas e mancadas dadas pesam mais do que os acertos e êxitos. Tipo assim, ok, ganhei, acertei, foi pro saco, agora, vou correr atrás de "consertar os erros". Cara, não tem coisa mais tosca do que a idéia de que se pode "acertar um erro", aprender com ele, ok, consertar, jamais! E acho que é por causa dessa falta de opção que às vezes caímos na armadilha da culpa.

Culpa limita a gente, culpa nos causa desamor, falta de respeito, falta de dinheiro, de prazer, alegria. Por causa da culpa vamos limitando às experiências que são felizes e prazerosas porque não nos sentimos dignos delas, tipo, apareceu aquele cara maravilhoso na sua vida, mas como num outro relacionamento você pisou na bola, não se sente merecedora de ter um cara tão maneiro. É isso e muito mais o que culpa faz! 

Eu entendo que tudo, absolutamente tudo é questão de ponto de vista. Veja só, o erro é algo que está encruado na gente, ele faz parte da nossa nossa noção de "existir". E começamos cedo errando, porque é preciso comer cocô, enfiar o dedo na tomada, cair/levantar, cair/levantar outra vez, cair/levantar novamente para fortalecer os músculos das pernas, ganhar o equilíbrio necessário, desenvolver a noção de profundidade x distância entre milhões de outras percepções! Nenhuma criança se ressente porque no processo de aprender a andar ela caiu 50x, ao contrário, ela se diverte com isso. Não há culpa, não há medo (quando há, são os pais que criam isso nela: "não sobe aí! O bicho papão (culpa) vai te pegar").

Se pegarmos esse simples processo infantil de cair/levantar e aplicá-lo à vida atual, conseguimos elevar nossos "erros" para simples "aprendizados".



Sendo assim, acredito que uma retrospectiva não pode ser um ato de tortura mental e emocional, mas sim uma relembrada humorada das passagens, sabendo que estamos recebendo mais 365 dias de oportunidades novinhas em folha!

Eu não acho que exista relacionamento errado, emprego desnecessário ou uma amizade infrutífera. Prefiro ver como pessoas, coisas e situações que me trazem experiências, e que dentro delas vou escolhendo onde quero estar, com quem, ou, fazendo essas ou aquelas coisas. Só que, para fazer essas escolhas preciso de parâmetros de comparação. Se tenho uma boa retrospectiva, meu banco de dados me conta sobre histórias que vivi e que me dão um baita know-how para me oportunizar, ou não, diante de cada esquina que me aparece. Mas ele não é um peso, entende? Sem arrependimentos profundos e limitantes. É um banco de dados de experiência pura, viabilizando mais experiências! E o melhor, se uma experiência não foi tão legal esse ano, podemos re-criá-la muito melhor e com base nesse exercício contínuo, vamos ficando cada vez mais refinados no ato errar-aprender-recriar.



É claro que sempre temos umas coisinhas mal resolvidas aqui e ali, mas, fazer esse exercício procurando os ajustes é muito melhor do que fazê-lo com um chicote na não, né não???

É isso, boa retrospectiva.

Beijão!!!

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