Posted by : Monik Ornellas


Desde que tive uma crise de vesícula no final do ano, uma outra Monik surgiu e venho descobrindo vários medos que estavam ocultos. Medos limitantes. Muitos medos. Fico com medo desses medos às vezes, muito embora eu não me julgue uma pessoa medrosa... Mas, quem sabe também eu possa estar descobrindo essa nova faceta que antes não me permitia sentir?



Eu não gosto de fraqueza, nunca gostei. Acredito que tenha sido porque cresci vendo um modelo de mulher forte e outro, de homem fraco. Então, quem sabe minhas fraquezas não estejam tão pesadas que eu não possa mais deixar de olhar para elas? Quem sabe?

Essa semana uma aluna e outra cliente me disseram que ficaram espantadas quando souberam do meu problema na vesícula e eu fiquei espantada ao quadrado com o espanto delas. 

Ser um caminhante, buscar consciência, melhorar, crescer, se aprimorar não nos exime de nossas dores, porque nem todas são conscientes e mesmo quando são, muitas vezes, nos parecem grandes batatas-quente.

Ninguém está isento de nada. Somos essencialmente humanos. E dentro da nossa humilde humanidade todos temos nossos altos e baixos, o que acontece é que a maioria das pessoas tem vergonha de dizer que os têm. 

A alternância entre profundidade e superfície sempre nos dá um novo fôlego. São momentos de suma importância e grandes sacadas, pelo menos foi o que compreendi vivenciando cada um - mais baixos do que altos -, diga-se de passagem. Pessoalmente eles não me assustam mais tanto, acho que porque aprendi que são estados temporários. Também me coloco numa posição onde tenho um compromisso com a busca da felicidade interior, logo, qualquer processo é um caminho em direção a ela e não um estado-depressivo-eterno. Ás vezes isso me traz alívio, outras, não. Depende do quão fundo estou.

Esse é um péssimo hábito que temos: o de criar uma imagem irreal das pessoas que nos cercam, daí quando a ficha cai, relacionamentos desabam, amizades acabam, sonhos murcham.

Você sairia com essa mocinha?
E se descobrisse que ela é ao mesmo tempo uma senhora idosa?

Não importa se uma pessoa está sempre sorrindo, não importa se ela tem tudo na vida que “julgamos” ser o fruto da felicidade, não importa se ele fala bonito, se dá conselhos, se é um palestrante, bem sucedida, um padre, uma celebridade, um iogue ou um multimilionário, somos essencialmente humanos, logo, todos temos altos e baixos com graus de profundidade individuais e únicos.

Essa necessidade humana de perfeição fez da nossa sociedade um lugar hipócrita. Ignora-se a necessidade da comunhão com a sombra humana, mesmo ela estando exposta em cada esquina, em cada notícia de TV e feed de internet.

Estão todos procurando um modelo perfeito de político, de guru, de parceiro, celebridade, pastor, ou sei lá o quê para se espelhar, para reluzir o bem, afim de alimentar a esperança de que ele - o bem - realmente ainda exista em qualquer outro lugar fora, mas nunca dentro de cada um. E a cada dia que passa, mais espelhos vão se estilhaçando sob a forma de escândalos, excessos e erros naturalmente humanos. Tudo isso, para que entre na cachola humana que aqui na Terra não é lugar de perfeição, mas sim um lugar para que cada um de nós possa entrar em contato com as próprias facetas margeadas de sombra, mas sempre iluminadas pela luz da nossa própria consciência que se expande mediante esses processos de altos e baixos.

E isso não significa regressão, infelicidade eterna ou imperfeição, mas crescimento contínuo num planeta de dualidade.

Monik Ornellas

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  1. Nossa você disse coisas que eu gostaria de ter ouvido há muito tempo atrás. Contudo hoje eles foram muito especiais. Lembrando-me da minha humanidade, corporeidade, finitude como eu e ao mesmo tempo eterna.

    Parabéns pelo texto.

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