Posted by : Monik Ornellas


Você já observou sua linha de pensamento quando está viajando na maionese de um projeto? Acredito que as linhas de pensamentos sejam bem diferentes de uma pessoa para outra, claro, mas também penso que todos nós vamos "viajando" tranquilos até certo ponto nos projetos, daí, em determinado momento - sei lá qual - começamos a inserir dificuldades nele, seja porque as pessoas dizem que é assim, seja porque acreditamos que elas existem ou mesmo porque também acreditamos que não existe projeto sem obstáculos.



Cara, eu sempre briguei dentro de mim por causa disso. Desde cedo nunca aceitei bem que as coisas tivessem que ser tão difíceis e por isso, na primeira dificuldade - antigamente - eu desistia e mudava.

Há uma crença muito forte - e ridícula a meu ver - de que precisamos ser "realistas". Eu escutei muuuito isso quando mais nova: "Monik, você está sonhando muito, desce daí, seja realista", traduzindo: insira dificuldades, sofrimentos e fracasso nos seus sonhos para que eles sejam viáveis e aceitáveis.

Em determinado momento eu parei de sonhar, não porque eu não quisesse, mas porque na maior parte do tempo era frustrante. Eu sonhava 5 minutos para logo em seguida visualizar uma enormidade de dificuldades que encontraria para implementar aquela idéia que, no sonho, me parecia uma nuvenzinha leve e feliz. 

Eu sinto que é isso que fazem com as crianças quando elas vão crescendo, acabam com seus sonhos sob a justificativa de que precisam aprender a ser "realistas" para saber viver ou se defender do mundo. Acredito que quando matam os nossos sonhos quando ainda somos pequenos em relação ao mundo, na verdade, fuzilam a nossa criança interior. E é por isso que vemos esse monte de adultos com olhar apagado, falta sonho, falta acreditar, falta o olhar que só o nosso ser criança - que nunca morre, só fica sufocado num canto - pode nos trazer. 

Tudo isso em prol da importância de uma boa dificuldade.

Não sei se é sua primeira vez nesse blog, ou se você já acompanha meus posts, então vou esclarecer que, tudo que escrevo é baseado na premissa de que somos criadores da nossa realidade. E essa premissa não é flexível, eu a vejo como 100%: pessoas legais, pessoas desonestas, projetos, empregos, namoros, acidentes, tudo pra mim é reflexo direto de criações, que podem ser conscientes para quem busca desenvolver a consciência de que é um criador e inconscientes para milhões que não fazem idéia de que essa possibilidade existe.

Baseado nisso, o que posso concluir é que somos bons criadores de dificuldades. Exímios criadores!

Se você escolher ser um engenheiro, uma modelo ou qualquer outra profissão, as pessoas lhe dirão que existem essa, aquela e aquela outra etapa (=dificuldade) que você irá ultrapassar; caso resolva criar uma ONG, abrir uma empresa, dependendo da área que escolher, facilmente encontrará quem lhe faça o favor de alertar quanto as dificuldades da área escolhida; se escolher uma faculdade a qual fazer (por sinal, hoje em dia as escolhas de faculdades estão pautadas naquela que apresenta "menos dificuldades" e mais retorno financeiro), a mesma linha de peregrinações nos é apresentada e mesmo se você escolher não fazer nada, a lógica da humanidade diz que sem ação não há reação, logo, você estará fadado a viver na dificuldade e sem dinheiro. É o que dizem por aí.

Há pedras no caminho... Será?

O resumo disso, é que ficamos tão viciados e programados para os obstáculos, que não conseguimos visualizar uma linha reta. Só em pensar na tal linha reta como caminho em direção a qualquer coisa, causa uma sensação estranha. Cadê a montanha russa? Cadê os altos e baixos? Cadê a emoção do caminho?

Eu sei que você já deve estar falando: "Mas Monik, sem as dificuldades não há aprendizado, precisamos das etapas para amadurecermos". Será mesmo? Será que já não aprendemos muito dessa forma?

Já reparou o quanto as pessoas andam cansadas e sem ânimo para a vida? O quanto não acreditam em quase mais nada, logo - como somos espelhos uns dos outros -, não acreditam em si mesmas?

Acredito que cabe a nós, seres mais conscientes, o start de um movimento mais leve, mais sonhador. E quando digo sonhador, não estou falando de ficarmos nas nuvens e esquecemos da Terra, não, mas de entender que essas dificuldades que escutamos e até mesmo que acreditamos, são e sempre foram ilusões que criamos para dinamizar a realidade, para nos tornar merecedores de algo que sempre fomos desde o início. 

Eu como criadora estou o tempo todo escolhendo entre aceitar ou não pensamentos, crenças e criações da minha família e da consciência de massa. E foi dentro dessa busca de percepção constante que caiu a ficha de que sempre estive "aceitando" as "dificuldades do caminho" de forma bem inconsciente exatamente porque brigo o tempo todo com elas, com isso, faço um movimento de resistência  que só as reforça.

Tome uma distância e observe o quê as pessoas andam falando, amigos, familiares, motoristas, atendentes, colegas de trabalho, internautas. Observe que estão todos de saco cheio das dificuldades auto-impostas da vida, mas em contrapartida, não se vêem na posição de transformadores dessa realidade, então as aceitam, porém se tornam resmungadores compulsivos, e automaticamente, reforçadores das próprias dificuldades. 

Entendeu a mensagem?

Ser realista deveria ser: ver que uma realidade não está nos fazendo bem, e começar a criar deliberadamente potenciais que possam nos levar além, e não reduzir sonhos porque eles não cabem numa  linha de execução pré-fabricada. As grandes invenções eram sonhos de mentes inquietas que não se encaixavam nos moldes de sua época, e por isso, levaram a humanidade muitos passos à frente.

Há uma linha tênue - e até uma dicotomia - entre o que pensamos acreditar dentre tudo que estudamos, e o que realmente vivemos. Algumas verdades nós queremos muito acreditar, como aquela que diz que o universo está o tempo todo nos dizendo SIM, é lindo! É apaixonante acreditar nisso! Mas quando caímos na "real", descemos da nuvem de sonhos e passamos a vislumbrar nossos projetos, inserindo neles várias probabilidades de obstáculos, caso contrário - acreditamos nós -, eles nunca se tornarão reais. 

E como bons criadores que somos, o que o universo nos diz? SIM!!!

Abração!
Monik Ornellas
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Complementos:
Falo sobre a nossa identidade, o apego a Luta e ao sofrimento, nesse post: O Adeus ao Guerreiro e ao apego a Luta

E sobre nos liberarmos da dor, nesse post: Eu Aceito o desafio de Viver aqui

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  1. Eu acredito que é assim mesmo somos responsáveis por tudo em nossas vidas, criamos a nossa realidade e por certo dificuldades.

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